quinta-feira, 4 de agosto de 2011

amor platônico

Posso sonhar com você esta noite? Juro que não vou te acordar...
Só quero sentir novamente o calor do teu corpo no meu
e cada beijo lascivo e sedento que aquela noite você me deu...

As mordidas no pescoço, 
sua respiração em meus ouvidos,
suas mãos me segurando firme,
entre sussurros e gemidos...

Lembrando assim até parece que sonhei
E se era sonho, não sei porque acordei...

As horas se arrastam sem notícias suas.
Sua ausência me tortura, me faz refém...
Em vários momentos você invade meus pensamentos
E sinto você pensando em mim também...


sábado, 23 de julho de 2011

Volver a los 17

Dezessete anos. A deliciosa irresponsabilidade da adolescência. Sexo no carro. Amigos, baladas, chegar em casa depois das sete da manhã.

A fragilidade e a fortaleza emocional de quem está começando a experimentar uma vida de possibilidades e relações.

Paixões platônicas. Apaixonar-se por caras mais velhos, que estão terminando a faculdade enquanto ainda somos secundaristas. E claro, eles nem olham pra gente. 

O sofrimento visceral pelos amores não-correspondidos. Um mundo inteiro a conhecer. 

Então você desiste de tudo. Fecha-se em uma concha, uma bolha quase segura, a velha redoma de vidro, acreditando que assim não sofrerá mais.

Torna-se mais séria e adulta do que gostaria - ou deveria. Veste uma máscara e passa a acreditar que você é assim.

Os anos passam e você descobre que não é feliz. Dentro de você vive um espírito aventureiro reprimido, contido, escondido pelo medo.

A insegurança faz de você um robô. 

Depois de treze anos, esse rebelde interior resolve vir à tona. Aos trinta, você retorna à adolescência para viver o tempo perdido. 

A deliciosa irresponsabilidade da adolescência. Sexo no carro. Amigos, baladas, chegar em casa depois das sete da manhã.

É um resgate do passado, com direito à volta dos personagens daquele tempo - inclusive das paixões platônicas.

Assim, depois que você decide refazer sua história, dar-se a liberdade e a coragem para recomeçar e ser quem você realmente é, tudo acontece.

E aquela paixão platônica adolescente sai do campo das ideias para tornar-se algo real, carnal, tão verdadeiro e intenso que "deixa marcas no pescoço".


Seu corpo dói, sua alma arde, a felicidade incendeia seu coração. O tempo pára. Não há idade, não há diferenças, não há medo nem insegurança.

Por um momento você é. Você simplesmente é.

Caem as máscaras. Você está nua diante da vida.

A relação com o passado se cura. Você desabrocha.

Está pronta para viver as entrelinhas da idade adulta.


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Pretérito imperfeito


As mágoas que levo comigo são por não ter dito tudo o que sinto. Mas começo a aprender que o silêncio é mais sábio. Talvez escrever seja uma sina, ou uma forma de entender que nem tudo que se sente se diz.

Por isso existe arte e literatura: são as livres expressões dos sentimentos contidos, guardados secretamente, intimamente.

Talvez os seres humanos não estejam preparados para lidar sequer com os próprios sentimentos - responsabilizar-se pelos sentimentos de outrém é demais.

Mas o caso não seria esse. Cada qual com sua bagagem. Andamos na estação em busca de passagem, caminhamos perdidos em meio à multidão.

Creio que o 'não dito' seja um ruído de comunicação. Por não ser expressado, fica contido no peito, embola-se na garganta, faz doer as solas do pé - sabe aquela dor no dedo mindinho?

Então eu não digo e tu não dizes, permanecemos num incômodo silêncio quase permanente, preenchido aos poucos pela inimizade. E o que era perfeito - ou tinha tudo para ser - torna-se pesado e denso.

E deixamos de ser. 



terça-feira, 12 de julho de 2011

O ciclista

Segunda-feira nunca fora o melhor dia da semana para ela, embora não fosse gravemente afetada pela síndrome de Garfield. Mas aquele dia começou particularmente agitado. 

Mesmo tendo acordado super cedo, não foi capaz de sair da cama nas duas horas seguintes. Quando enfim venceu a preguiça, foi preparar um chá e algo para comer.

Enquanto sorvia a bebida quente, pensava nos quase infinitos e não necessariamente agradáveis afazeres que tinha pela frente

Despiu-se do desânimo e tocou a vida. Saiu ainda pela manhã, atrasada, como sempre, e resolveu pequenos assuntos nos arredores de sua casa. À tarde iria encontrar um amigo. E depois ainda iria ao banco!

Apesar do encontro com o amigo ser algo que lhe gerava grande expectativa, não foi este o fato que tornou sua tarde inesquecível.

Ela sempre gostou de comédias românticas - e da ideia de que um homem às vezes é capaz de correr atrás de uma mulher, quando realmente a deseja.

Estava parada no farol de uma grande avenida da cidade. Entre as faixas da avenida, havia um amplo espaço para pedestres e uma ciclovia. E foi aí que passou o rapaz de bicicleta. Eles cruzaram os olhares por um breve momento e logo o farol abriu.

Intimamente, ela lembrou de vários momentos em que trocou olhares com homens que nunca mais viu na vida - e talvez nem verá. Então ela percebeu, pelo retrovisor, que este da bicicleta fez a volta e começou a pedalar atrás de seu carro.

Ela riu consigo e desacelerou, pois havia um farol fechado logo à sua frente. O rapaz pedalava cada vez mais rápido e assobiou para ela, que acompanhava a corrida pelos espelhos. Sequer acreditava no que estava acontecendo.

O farol abriu, ela olhou para trás e ele continuava vindo. Lentamente ela foi partindo, mas buscava em sua bolsa um cartão com seu telefone. Havia um outro farol à frente, e desta vez ela esperou por ele.

Quando ele chegou, quase sem fôlego, e lhe disse 'oi', ela sorriu. Ele perguntou aonde ela ia, ela falou o nome do bairro e lhe entregou o cartão com seu telefone.

Então partiu, deixando atrás um rosto ainda desconhecido, sem nome, mas levou consigo a esperança de receber, um dia, talvez, um telefonema ou email daquele ciclista que tanto correu atrás dela.


domingo, 3 de julho de 2011

A energia e a sinergia universal

Partindo do pressuposto de que tudo é energia, fácil explicar acontecimentos cotidianos. Enquanto minha expectativa era boa, tudo fluiu a contento. Quando me deixei influenciar pela opinião alheia e minha expectativa se tornou ruim, o mundo começou a desmoronar.

Nisso também entra a guerra entre razão e emoção. Minha mente "sabe" o que é melhor pra mim, mas meu corpo e meu coração discordam. E então vivo o dilema diário de ter que "escolher" entre um e outro, entre cabeça e coração. E no fim, eu sempre estrago tudo!

Um vaso partido nunca voltará a ser o mesmo vaso, ainda que se colem os pedaços. É como chorar sobre o leite derramado. Não adianta. Mas que tudo sirva como aprendizado. O leite, o vaso, as palavras não-ditas e as ditas no momento errado.

Todos os dias passam por nossas vidas muitas pessoas. Boa parte delas age direta ou indiretamente sobre nós. Algumas nos levarão a tomar decisões cruciais e talvez nunca nos daremos conta disso - elas muito menos.

No dia em que visitei a Cidade Proibida, já estava há 3 anos sem tomar álcool. Fui almoçar com uma amiga e resolvi brindar nosso reencontro no país do meio. Gan bei!

Uma velhinha recolhia das mesas latinhas de alumínio. Não cheguei a fotografá-la, mas guardarei sempre sua imagem. Ela nunca poderá imaginar o que significou para mim sua presença naquele momento.

Enquanto eu a olhava, dei-me conta de minha enorme paixão pela natureza humana. E de como eu gostaria que todos tivessem as mesmas oportunidades, pudessem livrar-se do sofrimento, da violência, da miséria, do medo, da ignorância, de sentimentos destrutivos.

E então tomei a decisão de encarar o Mestrado. Esse monstro. Porque agora quem tem medo e se sente ignorante sou eu.

E desde então as coisas começaram a fluir nesta direção. Descobri que conheço pessoas que podem me ajudar. E espero que este trabalho possa ajudar outros tantos. E quantas pessoas passaram em minha vida esta semana, mudando e mexendo comigo...